terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A inveja

A inveja é mesmo um sentimento curioso. Tenho lido os escritos do rabino Nilton Bonder em "A Cabala da Inveja" e a partir disso tenho pensado várias coisas. Acho que é um sentimento que a maioria de nós subestima seu poder e inserção nas relações. A inveja é um desejo obscuro. Um sentimento bom desvirtuado. Nasce da admiração, do desejo de compartilhar, nasce da observação. Mas torna-se inveja somente no momento em que este sentimento bom é frustrado. Invejamos o outro quando o que ele tem, de certa maneira, nos agride. Faz com que nos sintamos menores. É quando depois de admirar, passamos a perceber que aquela qualidade de alguém, objeto, elemento esta distante de nossas mãos. E aí entra uma contradição... o que fazemos com um desejo que não pode ser realizado? Resta-nos então, destruir este objeto ou o dono dele. Um mecanismo primário do tipo... "se não pode ser meu, não será de ninguém."
Mas como já disse antes, a inveja é um sentimento obscuro. Ela nunca vem à tona. Pois quando vem, é admitida, deixa de ser inveja e volta para sua origem, admiração. Caso eu inveje alguém e diga isso, estou apenas confessando uma admiração. A inveja se fantasia... age como um mecanismo inconsciente. E faz com que seu próprio dono acredite em seus argumentos. Na reta final, quando o dono da inveja está na fase de destruir o objeto, seu ódio é verdadeiro, o seu maldizer é quase legítimo, pois ele acredita que aquilo ou aquela pessoa deve ser destruída. 
Subestimamos o poder da inveja em nosso mundo. A inveja é capaz de destruir coisas, estruturas, ou pessoas imensas. A inveja é base também para outros sentimentos... como o ciúme, que entende o outro como pose. É base para o desencorajamento de pais para com seus filhos. É a base para o início de muitas guerras. Age na subjetividade.
E o menos óbvio é que a inveja é capaz de transformar pessoas grandes em pequenas e pequenas em grandes por um momento. Um rei pode invejar seu súdito e competir com ele por um momento por causa da inveja... porque quando sentimos inveja perdemos a dimensão de nós mesmos. Por um momento, por maior que sejamos, diante da inveja, nos sentimos pequenos diante do outro, ainda que o outro no geral seja mais simplório que a gente. 
Como se livrar dela dentro de nós? Conhecendo a nós mesmos. Quando a inveja chegar, fazer com que ela volte a ser o sentimento original, admiração. Não deixar que ela aja em nosso inconsciente. Como evitar a inveja do outro sobre nós? Isso ainda não sei... vou continuar com as leituras.

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